Preciso ser honesta sobre algo que me incomoda profundamente na minha área: a confusão constante entre "magro" e "saudável". São coisas diferentes, e essa confusão tem um custo real na saúde física e mental de muita gente.

De onde vem essa confusão

Vivemos cercados por imagens — redes sociais, publicidade, filtros, edições — que constroem um padrão estético cada vez mais estreito e cada vez mais distante da diversidade real dos corpos humanos. Esse padrão é vendido, direta ou indiretamente, como sinônimo de saúde, disciplina e sucesso pessoal. Só que magreza extrema não é, automaticamente, sinônimo de nada disso.

O que a magreza extrema pode esconder

Um corpo muito magro pode estar acompanhado de desnutrição, de deficiências nutricionais importantes, de perda de massa muscular, de irregularidades hormonais e, em muitos casos, de um relacionamento profundamente doente com a comida. Nenhuma dessas coisas é visível a olho nu — o que é visível é só o número da balança ou o tamanho da roupa, e é exatamente por isso que esse padrão engana tanta gente.

Minha visão como profissional que já viveu os dois lados

Antes de virar nutricionista, eu mesma já emagreci mais de 20kg. Vivi na pele a pressão de perseguir um número, e também aprendi, ao longo da minha própria jornada e depois de mais de 2.000 atendimentos, que saúde real não tem exatamente a cara que a gente aprendeu a associar a ela. Meu trabalho hoje é voltado para saúde de verdade: exames equilibrados, disposição, força, sono de qualidade, relação tranquila com a comida — e não para perseguir um número específico na balança só porque ele "parece certo" esteticamente.

Emagrecer com saúde não é o mesmo que emagrecer a qualquer custo. E essa diferença faz toda a diferença.

O risco de perseguir magreza como meta em si

Quando magreza extrema vira o objetivo — em vez de saúde, bem-estar e qualidade de vida serem o objetivo, com a composição corporal se ajustando como consequência —, o processo tende a ficar cada vez mais restritivo, cada vez mais insustentável, e cria terreno fértil para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Isso não é exagero: é um padrão que vejo se repetir na prática clínica com uma frequência que me preocupa.

Vamos colocar isso em prática, juntas?

Cada corpo é único — o seu plano também deveria ser. Agende sua consulta e vamos construir isso juntas.

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O que eu defendo no lugar disso

Defendo corpos com menos preocupação em se encaixar em um padrão estético extremo e mais preocupação em funcionar bem, em ter energia, em sustentar uma vida ativa e prazerosa. Isso pode, sim, incluir emagrecimento — para muitas pessoas, emagrecer traz benefícios reais de saúde. Mas o emagrecimento que eu busco construir com meus pacientes tem como bússola a saúde real, não a perseguição de um padrão estético que, na maioria das vezes, nem é biologicamente sustentável para aquele corpo específico.

Ana Lobo Nutricionista
Ana Lobo Nutricionista CRN-3 69370 · Nutrição Esportiva e Comportamental — USP